quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Cap.45-BFR- Cadáver


                -Você sabe que ela pode não acordar-disse Bru.

                -Se ela não abrir os olhos... fecharei os meus.

                Ela me abraçou – Não conhecia esse lado suicida – também não lembrava de ter sofrido tanto ,de gostar de alguém assim ,queria ela para sempre ,que nossa história não tivesse fim. Cada segundo ao seu lado era eterno ,mesmo com as horas passando como se fossem minutos ,cada sorriso ,cada abraço ,cada beijo ,as lembranças passavam como flashes , como se reviver cada segundo fosse diminuir a dor de não tê-la nos próximos .

                Mais um dia se passava lentamente , talvez dois ,não tinha mais noção de tempo ,o relógio na parede parecia parar o tempo enquanto fazia um tique-taque ,que nunca tinha reparado.

Brunelly limpou Isa. com uma toalha molhada e perfume ,aquela cena me fazia lembrar de quando se preparava alguém para ser enterrado (mesmo nunca tendo visto algo assim) ,nem todo o vidro poderia esconder o cheiro que se espalhava por toda a casa , tentava pensar no seu cheiro de sorvete , seu perfume (doce como ela) , era como se o que queria e o que acontecia estivessem em guerra dentro de mim.

Mais uma noite se passava ,estava deitado ,abraçado em Isa , tocar nela era como tocar no chão em um dia frio ,uma espécie de choque ,como se ela tivesse um bloqueio ,como se estivesse vazia . Beijei seus lábios , tão frios ,tão pálidos , ainda tinham um pouco do gosto de pimenta (a primeira vez que nos beijamos). Meus olhos voltaram a brilhar ,dessa vez não eram lagrimas ,era esperança em algo que não sabia o que era , esperança nela.

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