-Você
sabe que ela pode não acordar-disse Bru.
-Se
ela não abrir os olhos... fecharei os meus.
Ela
me abraçou – Não conhecia esse lado suicida – também não lembrava de ter
sofrido tanto ,de gostar de alguém assim ,queria ela para sempre ,que nossa
história não tivesse fim. Cada segundo ao seu lado era eterno ,mesmo com as
horas passando como se fossem minutos ,cada sorriso ,cada abraço ,cada beijo
,as lembranças passavam como flashes , como se reviver cada segundo fosse
diminuir a dor de não tê-la nos próximos .
Mais
um dia se passava lentamente , talvez dois ,não tinha mais noção de tempo ,o
relógio na parede parecia parar o tempo enquanto fazia um tique-taque ,que
nunca tinha reparado.
Brunelly
limpou Isa. com uma toalha molhada e perfume ,aquela cena me fazia lembrar de
quando se preparava alguém para ser enterrado (mesmo nunca tendo visto algo
assim) ,nem todo o vidro poderia esconder o cheiro que se espalhava por toda a
casa , tentava pensar no seu cheiro de sorvete , seu perfume (doce como ela) ,
era como se o que queria e o que acontecia estivessem em guerra dentro de mim.
Mais uma noite
se passava ,estava deitado ,abraçado em Isa , tocar nela era como tocar no chão
em um dia frio ,uma espécie de choque ,como se ela tivesse um bloqueio ,como se
estivesse vazia . Beijei seus lábios , tão frios ,tão pálidos , ainda tinham um
pouco do gosto de pimenta (a primeira vez que nos beijamos). Meus olhos
voltaram a brilhar ,dessa vez não eram lagrimas ,era esperança em algo que não
sabia o que era , esperança nela.
Nenhum comentário:
Postar um comentário